Trabalhos

Para o XXI Encontro da ABEP será possível submeter resumos expandido ou trabalhos completos no período de 1º de janeiro a 11 de março, com os seguintes formatos:

Resumo expandido

Trabalho Completo

  • Máximo de 4 páginas, excluindo folha de rosto
  • Fonte Arial
  • Tamanho 12
  • Espaçamento 1,5
  • Margens 2,5 cm
  • Arquivos em formato PDF
  • Conteúdo: Resumo, Introdução, Métodos, Resultado e Discussão se houver e Referências bibliográficas
  • ATENÇÃO: A folha de rosto/capa não pode ter identificação. Deve conter SOMENTE título e resumo.
  • Máximo de 20 páginas, excluindo folha de rosto
  • Fonte Arial
  • Tamanho 12
  • Espaçamento 1,5
  • Margens 2,5 cm
  • Arquivos em formato PDF
  • Conteúdo: Resumo, Introdução, Métodos, Resultado e Discussão, Referências bibliográficas
  • ATENÇÃO: A folha de rosto/capa não pode ter identificação. Deve conter SOMENTE título e resumo.

 

TEMAS

Os temas para submissão de trabalhos são: [Clique no título para ver a ementa]

 

Populações em situação de risco, políticas de enfrentamento de desastres, monitoramento e gestão de riscos e desastres, demografia dos desastres, política dos riscos.

Propor pensar o Brasil contemporâneo a partir das consequências e articulações entre as transições, focado em leituras nacionais e quadros regionais, para formar um painel das relações população, ambiente, espaço e saúde. A sessão pretende debater estudos acerca da relação campo-cidade, entre epidemiologia e ambiente, sobre mudanças no uso da terra, dos aspectos de saúde nas cidades, dentre outros.

A crescente disponibilidade de dados é acompanhada de complexificação das análises da relação população-espaço-ambiente. Nessa sessão deverão ser abordados os temas das articulações escalares, bases multidimensionais, big data, análise domiciliar e política de dados, com aplicações nos estudos de distribuição espacial da população, demografia das mudanças climáticas, mudanças ambientais, urbanização e outros afins.

Perspectivas de compreensão da relação natureza-sociedade e suas contribuições e desafios para os estudos de população: neomalthusianismo, antropoceno, cosmopolítica, ecologia profunda, epistemologias feministas, ecofeminismo, ecologia política, epistemologias do sul, materialismo metafísico, novo realismo, pensamento ambiental latino americano e mudanças ambientais globais seriam analisadas.

Este eixo pretende receber trabalhos que discutam questões gerais relacionadas ao mercado de trabalho considerando diversos aspectos demográficos como evolução da força de trabalho no mundo e no Brasil sem perder de vista o cenário macroeconômico. Entre outros, a oposição entre a atividade produtiva e reprodutiva tem sempre apresentado um certo conflito e barreiras ainda a superar, embora tenha havido evolução na participação feminina no mercado de trabalho brasileiro bem como redução entre homens e mulheres no que se refere às taxas de atividade nas últimas décadas. Contudo, os territórios “produtivos” e “reprodutivos” são ainda povoados de forma desigual entre homens e mulheres. Nos “produtivos” as mulheres são maioria em ocupações domésticas, administração pública e minoria na indústria, construção, comércio, etc. Na divisão sexual do trabalho doméstico e na conciliação do tempo com a família elas superam os homens. Sob o nome de “afazeres domésticos” esse trabalho realizado no lar é igualado à condição semelhante à de inatividade econômica. Por isso, a ABEP através do GT Trabalho, População definiu como eixo estratégico o tema, trabalho e população procurando apoiar a elaboração de estudos e pesquisas que versem tanto sobre os aspectos populacionais e o mercado de trabalho quanto a oposição/conciliação do trabalho concebido para a atividade econômica nomeada “produtiva” e o trabalho que apoia à atividade “reprodutiva”. A interconexão das temáticas e sua análise devem produzir maior compreensão das desigualdades com o intuito de buscar superá-las.

O Brasil tem vivenciado profundas alterações econômicas, na condução de suas políticas macroeconômicas, sociais e políticas. Assim, o objetivo deste eixo temático é promover debates e discussões que analisem o trabalho e a forma como o mercado de trabalho tem sido afetado pela crise econômica e os ajustes em curso. Serão acolhidas pesquisas sobre os efeitos diferenciados da crise no emprego tanto em termos espaciais (locais, regionais, nacionais ou mesmo globais) como demográficos, de gênero, idade, etc, de novas modalidades de inserção (informalidade, flexibilidade, empreendedorismo, etc) e sociais (renda, bem-estar, produtividade, etc).

A dinâmica do mercado de trabalho, especialmente no que se refere à geração de empregos formais e a evolução salarial bem como as políticas públicas adotadas nas últimas décadas repercutiram virtuosamente para a redução da pobreza e a redução da desigualdade de renda entre trabalhadores no Brasil em período recente. A ABEP definiu como eixo estratégico o acolhimento de trabalhos que estudem as alterações da legislação trabalhista e previdenciária e suas consequências sobre o emprego, as condições de vida da população e interrelação destes temas sobre os diversos segmentos demográficos.

O acirramento da concorrência intercapitalista em nível global, acelerou e deu maior dimensão ao desenvolvimento tecnológico e sua incorporação ao processo de trabalho. Esse fenômeno tem impactado tanto as economias industriais avançadas como as economias em desenvolvimento. Essas transformações têm afetado a produção de bens e serviços no que diz respeito ao como e onde produzir, à organização e produtividade do trabalho, bem como à distribuição espacial das oportunidades de trabalho. Tais mudanças impactam nas condições de vida, de renda, de mobilidade espacial e social da população entre outras. Nesse contexto, ganha evidência temas como educação – geral, científica, tecnológica, profissionalizante – e inclusão social, sobretudo dos segmentos populacionais mais vulneráveis às mudanças, ampliando-se as demandas por políticas públicas que respondam à esses desafios. Assim sendo, este eixo busca estimular os trabalhos e estudos que tratem de forma transversal as questões das mudanças na estrutura produtiva, dinâmica demográfica, políticas públicas e seus impactos sobre mundo do trabalho.

O objetivo deste eixo é aceitar debates e trabalhos sobre projeções da população em idade de trabalhar, da força de trabalho e dos ocupados. Particularmente, nessa última categoria debater o que é considerado trabalho decente e o que não conforme a OIT. Tratativas sobre a perda da série histórica PNAD PME face a PNAD contínua serão aceitas. Em relação aos registros administrativos, discutir todas as novas modalidades: trabalho intermitente, MEI, etc.

Atualmente muito se tem falado sobre a migração internacional no país, e o trânsito de imigrantes internacionais pode não se definir muito bem, uma vez que se tem componentes de migração e de mobilidade populacional nas áreas de fronteira, como no caso dos migrantes venezuelanos recentes, por exemplo. Da mesma forma, cada vez mais se torna importante o tema dos refugiados e daqueles que realizaram deslocamentos forçados, deixando seus países. Assim, este tema busca trabalhos que abordem a migração internacional, e também tratem de temas como o refúgio e deslocamentos forçados.

O retorno e a pendularidade são dois tipos de movimentos populacionais que ganham cada vez mais importância com o tempo, com a redução das distâncias migratórias que temos vivenciado. Muito se tem ainda a aprender sobre estes temas que, dependendo da quantidade de trabalhos recebidos, poderiam se dividir em duas sessões temáticas, dadas suas características peculiares e distintas. Enquanto o retorno envolveria a volta do migrante ao local de origem, em função de várias possibilidades a serem verificadas, a mobilidade pendular trataria dos deslocamentos populacionais realizados diariamente entre municípios para trabalho ou estudo.

Este tema se propõe a estudar a relação entre a migração e o desenvolvimento local ou regional, abordando questões econômicas e sociais na tentativa de verificar de que forma as características dos migrantes impactam ou são impactadas pelas características dos locais de destino.

Esta sessão tem como objetivo trazer trabalhos que contribuam para a realização de estudos migratórios a partir de fontes de dados alternativas aos censos demográficos e PNADs, tentando reduzir nossa "censo-dependência", e utilizar dados mais recentes do que aqueles do último censo demográfico, realizado em 2010, que na verdade trata da migração dos anos 2000. Esta sessão também trataria de novos usos de fontes de dados já existentes, a partir da aplicação de métodos e conceitos alternativos, como espaço de vida e lifestyle migration, por exemplo.

A demografia histórica tem se renovado nos últimos anos devido, basicamente, a três fatores: 1) a maior disponibilidade de fontes primárias digitalizadas; 2) o surgimento e difusão de novos temas da história social e de técnicas da demografia que, com adaptações, podem ser aplicadas a dados históricos para entender as populações do passado e 3) o surgimento de novos centros de estudos de demografia histórica em áreas carentes desses estudos. O objetivo central desta sessão é evidenciar trabalhos exemplares que reflitam esses elementos transformadores da demografia histórica, com destaque para as novas abordagens sobre as variáveis demográficas, o uso de registros paroquiais (e de documentos produzidos a partir destes) e censos demográficos.

O regime escravista colonial estabelecido pelos europeus no Novo Mundo utilizou mão de obra de indígenas, africanos e seus descendentes. Ainda no período colonial, a escravidão indígena foi abolida. Com as guerras de independência no século XIX, nações que se constituíram encerraram a escravidão africana. Em sociedades nacionais, como Brasil e Estados Unidos e colonial, como Cuba, a escravidão africana se fortaleceu e perdurou até meados da segunda metade do século XIX. Os sujeitos escravizados contribuíram com seu trabalho e bagagem cultural para a formação e constituição das sociedades americanas. A quantificação e caracterização dessas populações, o processo de miscigenação, a construção de relações familiares e de sociabilidade e a obtenção da liberdade serão temas abordados nessa sessão.

A história do Brasil confunde-se com um processo contínuo de movimentação populacional caracterizando-se como um território de imigrantes, de grande mobilidade interna e pouca emigração. O avanço da fronteira econômica ocorria a partir de núcleos de povoamento já consolidados, de onde indivíduos e famílias buscavam identificar áreas viáveis à exploração. Trajetórias que espelham, na origem e destino, não só estruturas macroeconômicas e políticas, mas também estruturas familiares e domiciliares, relações de gênero, geração e poder, acessos diferenciados a redes sociais, expectativas temporais distintas, oportunidades de vida e trabalho, capacidades de enfrentar com sucesso ou não o cotidiano, e outras questões de caráter mais subjetivo. Nesta sessão, propõe-se um fórum de debate acerca das múltiplas experiências de mobilidade social e espacial que podem ter resultado em estratégias familiares e individuais diferenciadas.

A proposta desta sessão é a de contemplar as múltiplas dimensões que condicionam - e são condicionadas - o processo saúde-doença-cuidados-morte a que está exposta a população. São esperados trabalhos que versam sobre o processo de transição demográfica e epidemiológica; os perfis de adoecer e morrer, os diferenciais de mortalidade dos diferentes grupos populacionais; violências e acidentes, etc. Concomitantemente se faz necessário identificar, avaliar e empregar diversas fontes de informação e métodos e técnicas de análise devido à complexidade das relações entre as dimensões explicativas e pelos diferentes níveis de análise a serem considerados.

A inclusão de novos sujeitos históricos como objeto de análise tem se ampliado desde os anos 1960. Sujeitos marginalizados ou temas até então esquecidos pela história foram paulatinamente incorporados como objetos de pesquisa: as crianças, os velhos, as mulheres, as classes trabalhadoras, a vida privada, os valores e as atitudes, etc. O objetivo dessa sessão é o de abordar os diferentes estratos sociais que compuseram a população brasileira pretérita, tendo em conta as relações desiguais de poder em uma sociedade miscigenada e hierarquizada

A estrutura e a composição dos arranjos domiciliares, a formação das famílias e o estabelecimento dos laços de compadrio se deram através de complexas relações que perpassam a escravidão, a liberdade, a mestiçagem, o concubinato e o casamento no passado brasileiro. A partir da utilização de fontes variadas e da aplicação de métodos diversos, busca-se comparar no espaço e no tempo as mudanças e permanências dos arranjos domiciliares e familiares e as características fundamentais do compadrio.

A presença de indígenas nas áreas urbanas tem sido expressiva desde que os censos demográficos começaram a contabilizar essas populações. De 2000 para 2010, além da expressiva população indígena nas grandes cidades, houve um aumento no número de municípios de pequeno e médio porte com indígenas nas áreas urbanas. Quem são, quais as características sócio-demográficas dessas populações é tema dessa sessão. Muitas cidades brasileiras são resultados de processos históricos de aldeamentos de povos indígenas nos séculos XIX e anteriores, dando origem as chamadas populações urbanas: analisar alguns casos onde processos de aldeamentos mais recentes e relações com povos indígenas também são temas de interesse desta sessão.

Estudos sobre dinâmicas da fecundidade, mortalidade e mobilidade espacial dos povos indígenas e auto-declarados indígenas em diferentes territórios serão aceitos para essa sessão. Perspectivas diacrônicas, históricas, recentes ou de tempos coloniais são fundamentais para o entendimento da situação atual dos perfis e dinâmicas demográficas atuais desses povos e populações. Pesquisas sobre as fontes de informações e avaliação da qualidade de dados para os estudos sócio demográficos são de grande valia para a estruturação e compatibilização de informações demográficas de diferentes países.

Estudos sobre as fontes de informações que são disponibilizadas publicamente pelas diferentes esferas dos poderes executivo (federal – Ministério da Saúde, Ministério da Educação, Ministério do Desenvolvimento Social, Embrapa, Incra, Fundação Palmares, Funai; Estaduais e Municipais) e suas articulações com os processos de estabelecimento e monitoramento das políticas públicas voltadas para os povos e populações tradicionais. Avaliação de políticas públicas com base em sistemas de informações dos movimentos sociais, ONGs, comparando essas análises com análises baseadas nas informações oficiais. Experiências de levantamento e sistematização de informações sócio demográficas autônomas próprias que colaborem para a estruturação de políticas públicas que levem em conta a sociodiversidade.

Na Agenda 2030 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, o terceiro objetivo refere-se a “Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades”.Entre as metas para cumprir o objetivo da saúde estão: redução da mortalidade materna e mortalidade prematura de adultos; acabar com mortes evitáveis de recém-nascidos e crianças menores de 5 anos, com as epidemias de AIDS, tuberculose, malária e doenças tropicais negligenciadas; combater a hepatite; promover a saúde mental e o bem-estar; assegurar o acesso universal aos serviços de saúde sexual e reprodutiva; atingir a cobertura universal de saúde. Nesta sessão, pretende-se discutir trabalhos sobre a potencialidade e limitações no Brasil para cumprir com as metas até 2030. Especial relevância terá a discussão sobre os impactos na saúde da desigualdade, de políticas públicas de redistribuição de renda e de promoção da equidade de gênero, raça/etnia, orientação sexual, migrantes e em situação de rua, no contexto atual de fragilização do Estado de Bem-Estar, do SUS.

Nesta sessão, será debatida a desigualdade em Saúde em seus aspectos teórico-conceituais, metodológicos e de análise do perfil demográfico das iniquidades regionais, raciais, étnicas e de gênero em saúde, assim como à relação entre desigualdade socioeconômica e saúde, uso e acesso aos serviços de saúde pública no Brasil e impacto da pobreza sobre o ciclo vital.

A disponibilidade e qualidade das fontes de dados demográficos é questão fundamental e estratégica para os estudos e avaliações da saúde populacional. Tanto as estatísticas vitais como censos da população e as pesquisas por amostra de domicílios são objetos essenciais da demografia. Também é importante discutir fontes não convencionais nas atividades de análise demográfica e saúde. Assim, nesta sessão, incluem-se trabalhos que tratem da qualidade dos dados de mortalidade e de nascimentos, da relevância dos dados para o acompanhamento e monitoramento das políticas públicas, da necessidade de relacionamento das bases de dados, o BigData, assim como estudos que abordem aspectos metodológicos e correção da informação para estimativas de indicadores relevantes para saúde.

As condições e o processo de saúde/doença, funcionalidade e morte dentro de todas as etapas do ciclo vital (materno-infantil, infância, adolescência, adulto e idoso) são consideradas nesta sessão. Também inclui trabalhos que versem acerca dos fatores de risco, comportamentais, biológicos e ambientais ao longo dos diferentes grupos etários, assim como os que avaliem o impacto de programas e políticas de promoção da saúde.

A interação entre a transição epidemiológica e a transição demográfica, assim como seu impacto no setor saúde serão considerados nesta sessão. Espera-se trabalhos que foquem nas consequências do complexo perfil de morbimortalidade, no impacto das causas externas, nas doenças infecciosas e parasitárias, na chamada “epidemia das doenças crônicas e degenerativas” e nas consequências do aumento da longevidade e etapas da transição epidemiológica nas diferentes regiões do Brasil.

Tem como finalidade promover e disseminar novas questões sobre longevidade e saúde à luz da discussão das teorias de compressão e expansão da morbidade. Seria uma oportunidade de apresentação de trabalhos que investigam saúde por meio de outros indicadores, como fragilidade em idosos, trajetórias de desfechos de saúde, novas formas de medir envelhecimento, curso de vida e saúde, aspectos cognitivos, religiosidade e saúde, dentre outros.

Desde os anos 1940, o Brasil tem vivenciado um aumento da expectativa de vida da população que se deve tanto ao avanço de tecnologias relacionadas à área de saúde quanto à melhoria das condições de vida da população. Porém, o que se observa desde a década de 1970 é um aumento das mortes por causas externas, ceifando vidas precocemente. A sessão pretende debater o peso da morbidade e da mortalidade por causas violentas (especialmente homicídios e acidentes) entre as diversas causas de adoecimento e morte, em um contexto de manutenção e aprofundamento das desigualdades.

A criminalização do aborto induzido no Brasil é um fator de risco para a ocorrência destas complicações, constituindo uma violência e um desrespeito aos direitos humanos das mulheres, porque impede uma atenção médica e hospitalar adequada e segura. O aborto inseguro implica em severos danos à saúde das mulheres que interrompem voluntariamente uma gravidez indesejada, com complicações graves como hemorragias e infecções que frequentemente resultam em morte. A face mais cruel da criminalização do aborto no país é uma grande desigualdade de riscos. Enquanto uma minoria das mulheres com melhores recursos socioeconômicos pode acessar o aborto relativamente seguro em clínicas clandestinas, mulheres pobres e sem condições de arcar com custos elevados desse tipo de atenção recorrem a práticas domésticas ou intervenções de alto risco, incluindo o trauma voluntário, uso de substâncias cáusticas inseridas na vagina ou objetos inseridos no útero, entre outras tantas práticas terríveis e brutais.

O trabalho é elemento estruturante das relações sociais, já que é a partir deste que a maioria das pessoas obtém os recursos monetários necessários para a reprodução social. Neste sentido, a participação no mercado de trabalho é um aspecto crucial para a autonomia econômica. Para as mulheres essa participação pode ser restrita, seja porque precisa conciliar família e trabalho, seja porque há barreiras, como relações de poder, desigualdades e de discriminação que as colocam numa posição de dependência. Uma discussão mais ampla sobre trabalho não se restringe apenas àquele capaz de gerar rendimento. Outras formas de trabalho não remunerado são fundamentais para a discussão entre relações de gênero e trabalho. O mercado de trabalho brasileiro é marcado por persistentes desigualdades, não só de gênero, mas também geracional, de cor ou raça e de classe e as interseccionalidades entre essas dimensões. Apesar da maior escolaridade feminina, a inserção das mulheres no mercado de trabalho é bastante reduzida comparada com a taxa de atividade masculina. O rendimento médio das mulheres é inferior ao masculino em cerca de 30%, cuja relação de desigualdade aumenta quanto maior for o nível de instrução. As áreas de inserção das mulheres no mercado de trabalho são praticamente as mesmas durante décadas, voltadas para o emprego doméstico, educação e saúde; assim como o acesso delas aos cargos gerenciais e de direção é bastante limitado. Dessa maneira, o GT População e Gênero estimula a inscrição de trabalhos que analisam, de forma teórica ou empírica, a partir de uma perspectiva estrutural ou conjuntural, a questão da divisão sexual do trabalho; o trabalho remunerado e não remunerado; a estrutura ocupacional por sexo; as condições de rendimento e emprego; as diversas formas de inserção no mercado de trabalho; a questão da informalidade e da subocupação, entre outros temas no campo do trabalho que tenham uma abordagem de gênero.

Nas últimas décadas a participação das mulheres no mercado de trabalho teve grande avanço; contudo, esse crescimento não foi acompanhado por políticas alternativas privadas e sociais de redistribuição do cuidado dentro do domicílio, nem com uma maior participação dos homens na realização dos afazeres domésticos e cuidados. As mulheres continuam sendo as principais responsáveis pelo trabalho reprodutivo e essas atividades socialmente desvalorizadas acabam condicionando a inserção das mulheres no mercado de trabalho. Além disso, a sobrecarga de trabalho e as jornadas de trabalho pouco flexíveis têm limitado a possibilidade de elas disporem tempo, principalmente para as atividades mercantis. Essa conciliação entre trabalho produtivo e reprodutivo ocorre pela via de ajuste entre os “tempos”. Quando o tempo de trabalho no mercado é rígido e as necessidades de tempo de cuidado são fixas, as mulheres tendem a reduzir o tempo de lazer e, em casos extremos, reduz-se também o tempo dedicado às necessidades pessoais, agravando as condições de bem-estar e qualidade de vida. O GT População e Gênero estimula a inscrição de trabalhos que abordam, de forma teórica ou empírica, a questão da conciliação entre trabalho e família; a Convenção n.156 da OIT; os “tempos” de trabalho entre homens e mulheres; os efeitos da transição demográfica sobre o trabalho na perspectiva de gênero; os diversos arranjos familiares e as condições de vida de homens e mulheres, entre outras.

Historicamente, o processo de escolarização das mulheres até a segunda metade do século XX foi bastante limitado. Isto porque, as mulheres tinham papeis bem definidos, como filhas, mães, esposas e donas de casa, e o ensino destinados a elas eram voltados ao bom exercício dessas funções. No Brasil, o avanço das mulheres no campo educacional se intensificou a partir da década de 1990, quando elas deixaram de ser maioria entre a população analfabeta. A maior escolaridade média feminina, assim como a maior participação delas em todos os níveis de instrução, encobre alguns aspectos da desigualdade de gênero na educação, visto que a evasão escolar mais acentuada entre os meninos é resultado, em parte, desses “papeis” socialmente pré-estabelecidos. Há ainda uma divisão sexual nas carreiras de bacharelado visto que a formação feminina permanece ainda concentrada nas áreas de Educação, Humanidades e Saúde. As desigualdades de gênero na educação repercutem no mercado de trabalho e a escolha dessas áreas de formação remete aos papeis gênero, num círculo vicioso. É nesse sentido que a discussão de gênero nas escolas é crucial, pois muito dos estereótipos são reforçados no interior dessas instituições. A inclusão e o respeito à diversidade são elementos constitutivos do processo de desenvolvimento social com ênfase na redução das desigualdades sociais. O GT População e Gênero estimula a inscrição de trabalhos que façam uma discussão teórica ou empírica sobre a questão de gênero na educação nas diversas formas de análise do tema como o acesso (matrículas, taxa de freqüência, etc), o desempenho, a infra-estrutura escolar, os currículos, as políticas nacionais (PNE), a inclusão e a diversidade nas escolas, entre outros temas, nos diferentes níveis de ensino.

A IV Conferência Mundial da Mulher realizada em Beijing, em 1995, tornou-se um importante marco político internacional, cuja plataforma de ação trouxe elementos fundamentais para a defesa da igualdade de gênero nos diversos campos da política pública. Posteriormente, as agendas internacionais de desenvolvimento, como os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio e a atual Agenda 2030 incluíram a Igualdade de Gênero como um elemento constitutivo no processo de desenvolvimento das nações. Neste sentido, como uma forma de avaliar o progresso das nações, o uso de indicadores sociais com a perspectiva de gênero tem sido cada vez mais utilizado como um mecanismo de monitoramento das condições de vida das mulheres e as relações de desigualdades que perpassam as dimensões de gênero, cor ou raça, classe, geracional e regional. O GT População e Gênero estimula a inscrição de trabalhos que abordem de forma teórica e empírica os indicadores de gênero; a discussão sobre a questão de gênero nas agendas nacionais e internacionais; os marcos políticos-institucionais e jurídicos para a promoção da igualdade de gênero, etc.

Os estudos sociais e históricos sobre o feminismo costumam periodicizar esse movimento social em ondas. As relações entre os feminismos em diversos países, bem como o avanço da comunicação em massa, que culminam nas redes sociais, tem intensificado as relações e as trocas entre feministas de várias nacionalidades. Paralelamente, vemos surgir, nos últimos anos, uma efervescência desse ativismo, que se reflete na mídia, nos protestos de rua, nas organizações de coletivos de universidade e nas discussões nas redes sociais. Já se fala numa quarta onda de feminismo a partir do novo milênio, simbolizado por redes como a Marcha Mundial de Mulheres, e impulsionados pelos movimentos anticapitalistas e antiglobalização. No Brasil, políticas de expansão do ensino superior e de ação afirmativa também fizeram crescer o contingente de mulheres nas universidades; muitas das quais engrossaram as fileiras das Jornadas de Junho (2013), fazendo-as ingressar no ativismo. Nesse panorama multifacetado e multicausal, a quarta onda feminista dá sinais de fortalecimento, trazendo inúmeros questionamentos sobre violência, direito ao próprio corpo, desigualdades de gênero, diversidade sexual, política e comportamento. O GT População e Gênero estimula a inscrição de trabalhos que discutam os novos feminismos, suas propostas e formatos, e as contribuições inovadoras para o tratamento da questão de gênero nas pesquisas contemporâneas, seja no aporte teórico, seja em novas metodologias, quantitativas ou qualitativas.

Nesta sessão serão considerados os aspectos formais dos métodos de projeções populacionais, analisando os impactos de cada componente demográfica na configuração futura da população, com discussão de resultados, e avaliação das metodologias adotadas. Além disso, espera-se receber resultados de projeções de população e de componentes demográficas que possam, juntos, formar um painel para discussão das tendências futuras da população brasileira como um todo, de suas regiões, estados e municípios.

Nesta sessão, espera-se discutir as limitações e metodologias que possibilitam as estimativas demográficas em áreas com baixo contingente populacional, incluindo abordagens estocásticas que viabilizem a construção de intervalos de confiança e incorporação de incertezas nas estimativas.

A ideia aqui é utilizar modelos estatísticos para estimar a mortalidade, a fecundidade e a migração. Depois, cotejaríamos essas estimativas com os resultados das estimativas por métodos que já utilizamos usualmente com abordagens demográficas.

A formulação e avaliação de Políticas Públicas demandam, além de projeções populacionais por sexo e grupos etários específicos, de estimativas de públicos-alvo, de estimativas de famílias, domicílios e outros segmentos sociodemográficos. Projetos de intervenção urbana, como construção de aeroportos, rodovias, linhas de metrô também geram impactos demográficos significativos, ao deslocar população e alterar a forma e intensidade de ocupação do solo e custos de moradias. Dispor de modelos e estimativas populacionais decorrentes de experiências concretas nesse sentido também são muito oportunas. Por fim, na aplicação da demografia em estudos mercadológicos, há necessidade de estimação de segmentos populacionais segundo características específicas, segundo rendimento ou características sociodemográficas. Trabalhos que cubram um dos temas relacionados podem trazer contribuições relevantes para a área de pesquisa na Demografia.

O objetivo desse tema é congregar estudos que avaliem a relação entre educação e fecundidade, mortalidade e/ou migração. Serão aceitas contribuições que avaliem os aspectos macro dessa relação, por meio de projeções, correlações, análise espacial, bem como aquelas que avaliem a relação no aspecto micro, pela estimação de efeitos causais, dos fatores associados, identificação de variáveis intervenientes, e a mensuração do papel das normas sociais e culturais como mediadoras dessa relação.

O objetivo desse tema é reunir contribuições que utilizem métodos demográficos para a análise de indicadores educacionais. Como exemplo, têm-se os métodos de probabilidade de progressão por série, aplicações das tábuas de vida de decremento e incremento-decremento, por exemplo, para a estimação da esperança (expectativa) de escolaridade, e aplicação dos métodos idade-período-coorte.

Nessa temática busca-se reunir estudos sobre a mensuração dos fatores do estudante, professor, escola e rede sobre resultados educacionais (desempenho, indicadores de fluxo), bem como estudos dedicados à avaliação de políticas públicas educacionais.

Neste tema buscamos aumentar a interação entre demógrafos, economistas, sociólogos e estatísticos na temática da educação. Temas clássicos como estudos de estratificação social, capital humano, e curso de vida são encorajados no diálogo com a demografia.

Com este tema buscamos contemplar estudos que abordem a realidade educacional na perspectiva de gênero, raça/cor, bem como recortes que considerem minorias, como grupos quilombolas, pessoas com deficiência, indígenas e LGBTs.

Refugiados ambientais, migração e mudanças climáticas, mudanças ambientais e distribuição espacial da população, riscos associados à mobilidade urbana, migração e gênero, urbanização e metropolização, condição de migrante, estigmatização e injustiça ambiental de populações migrantes.

Áreas protegidas (unidades de conservação, terras indígenas e terras quilombolas) e as diferentes formas de uso e ocupação do solo e seus recursos naturais mediadas pelas diferentes concepções de natureza das populações tradicionais. Conceitos de ruralidades e as dinâmicas demográficas de populações tradicionais que incluem mobilidades espaciais e multi-localidades. Possíveis conflitos e mudanças ambientais relacionadas a populações tradicionais.

Os processos sociais migratórios podem ser interpretados por meio desta intersecção teórico-metodológica bastante interessante.

Este tema tem como objetivo reunir estudos que tratem da relação entre trabalho e migrações, a partir de uma perspectiva interdisciplinar, entre pesquisadores de diferentes áreas, dado que esta temática tem interface com a demografia, economia, sociologia, geografia, história, entre outras. Portanto, pretende-se agregar análises que abordem o ingresso do migrante no mercado de trabalho formal ou informal, a mobilidade ocupacional e social, trate do processo de seletividade no mercado de trabalho, os nichos ocupacionais, o papel das redes sociais na inserção laboral, e os impactos da recente crise econômica sobre a ocupação e o rendimento do migrante.

Caso o tema do seu resumo ou trabalho completo não esteja contemplado pelas opções acima, submeta nessa opção.

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