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A Demografia dos Povos Indígenas no Brasil

@abep 03/17

25.08.2017

Marden Campos

HISTÓRIA | Lá se vão mais de 15 anos de quando, em março de 2002, um grupo de demógrafos, antropólogos, sociólogos e profissionais ligados à área da saúde coletiva, interessados em estudar a articulação entre os processos demográficos, mudanças socioculturais e a organização social das sociedades indígenas, criaram o Comitê de Demografia dos Povos Indígenas na ABEP.

Em verdade, o mesmo foi gestado no ano anterior, durante a Conferência da União Internacional para o Estudo Científico da População (IUSSP, na sigla em inglês), realizada em Salvador. Um dos aspectos que congregou o grupo foi o reconhecimento de que, apesar da centralidade dos processos demográficos tanto para a demografia como para a antropologia, havia poucos grupos de pesquisa voltados para o estudo do tema no País.

Em 2006, o Comitê passou a categoria de Grupo de Trabalho, quando foram ampliados os objetivos, sem nunca “perder o norte” de articular perspectivas inter-disciplinares no estudo da demografia dos povos indígenas.

Um dos grandes desafios a serem enfrentados naquele período - e que permanece até hoje - é estimar indicadores demográficos para as "populações de pequena escala", como são muitas comunidades indígenas, interpretando-os à luz de informações sobre a cultura desses povos. Outro desafio, que se tornou crescentemente importante a partir de 1991, com a inclusão da categoria “indígena” na pergunta sobre cor ou raça dos censos, tem sido destrinchar as imensas bases de dados que vem sendo disponibilizadas pelas pesquisas populacionais.

Apesar de continuar sendo um grupo relativamente pequeno -  o menor dos GTs da ABEP, segundo levantamento realizado pela diretoria da ABEP em 2017 – o Grupo de Trabalho sobre Demografia dos Povos Indígenas no Brasil tem se mostrado extremamente prolífico. Tendo produzido o livro “Demografia dos Povos Indígenas no Brasil”, publicado em 2005 através de uma parceria entre a Editora Fiocruz e a ABEP - cuja segunda edição está em elaboração -, recentemente contribuiu para produzir um dossiê em nossa revista, a Revista Brasileira de Estudos de População (Rebep) volume 33, número 2. Além disso, seus membros participam ativamente de fóruns e congressos nacionais e internacionais, publicando regularmente artigos e capítulos sobre o tema. Outra marca da atuação do GT tem sido a intensa cooperação com outras organizações acadêmicas, como a Associação Brasileira de Antropologia - ABA e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva – ABRASCO, assim como o IBGE e a Fundação Nacional do Índio – FUNAI.

Internamente, o GT tem promovido, nos anos intermediários ao Encontro da ABEP, os seminários Demografia dos Povos Indígenas do Brasil, cuja nona edição será realizada entre os dias 3 a 5 de outubro deste ano, na Universidade Federal de Minas Gerais. Mantendo a perspectiva articuladora, o evento contará com a presença de demógrafos, antropólogos, sociólogos, economistas, planejadores regionais, geógrafos, dentre outros. A programação contará com uma pluralidade de temas que circundam os estudos indígenas no País, mostrando o potencial aglutinador desses eventos no seio de nossa associação.

Convidamos a todos associados e demais interessados para participarem do evento e também se envolverem nas atividades do GT!

Saiba mais sobre o IX Seminário de Demografia dos Povos Indígenas no Brasil e outros eventos dos Grupos de Trabalho da ABEP que ocorrerão no segundo semestre de 2017.

As opiniões e reflexões apresentadas aqui são de responsabilidade dos autores e não necessariamente refletem as opiniões da ABEP ou de seus associados.