Valéria da Motta Leite

Homenagem póstuma a Valéria da Motta Leite

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Fiquei chocado com o falecimento da Valéria, pois ela era o símbolo da juventude inalterável, com sua disposição alegre e seu sorriso de carioca feliz – mesmo nos tempos mais complicados da sua vida pessoal ou profissional. Fico também espantado com a ausência de manifestações lembrando as contribuições desta figura para o nosso convívio. Deve ser parte do tal choque de gerações, pois Valéria deixou de frequentar a ABEP há algum tempo e, consequentemente, não é conhecida de muitos!

Mas não podemos deixar passar em brancas nuvens o desparecimento de uma grande companheira que foi pioneira na demografia brasileira, esteio do IBGE nos seus melhores tempos, fundadora e membro da primeira diretoria da ABEP, participante e palestrante obrigatória em todas as reuniões de demografia. Acima de tudo, gente boa – simpática, competente, confiável e generosa. Muitas saudades, Valéria!" George Martine

Apesar do pouco contato profissional com Valéria, era possível notar que se tratava de uma pessoa muito competente e dedicada ao trabalho, o qual desempenhava com muito rigor. Além disso, fica o reconhecimento da pessoa que foi fundamental, junto com o Professor Lira Madeira, Celso Simões, Márcia Martins, para a estruturação da área de Demografia no IBGE. Guardo na memória seu jeito alegre e o bom trato com os colegas." Tadeu Oliveira

Minha relação com Valeria da Motta

Conheci e convivi com Valeria quando no IBGE no Departamento de Estudos de Mobilidade, creio que anos 90. Eu, socióloga com conhecimentos mais em estatística descritiva e analises qualitativa, tinha admiração por Valeria o que foi desenvolvendo em carinho e certa busca por proteção. Admirava suas conversas com o Prof. Lyra Madeira entre técnica e com humour. Era de igual para igual que ela discutia com o Professor Faissol e com o Professor Isaac Kertnesky e com a mesma atenção e brincadeiras que comigo e outros técnicos. Quando queríamos flexibilizar a PNAD e o Censo com nossos quereres sociológicos chegava a ser pedagógica, mas nunca gozando das nossas ignorâncias estatísticas. Foi para mim um apoio afetivo e técnico e exemplo de como a segurança e o rigor cientifico não precisam se impor por arrogância. Grande Valeria.Mary Garcia Castro

Em 1973 o principal aeroporto brasileiro de onde decolavam e chegavam a maioria dos voos internacionais de passageiros era o Aeroporto do Galeão. O embarque e o desembarque eram realizados no terminal que hoje é denominado Terminal 1.

Relembro isso porque foi ali, no comecinho de abril daquele ano, que conheci Valeria da Motta Leite.  Vínhamos de São Paulo, eu e Mirna Ayres Issa Gonçalves (então pesquisadora do CEBRAP) em viagem para Trinidad Tobago.  Lá seria realizado o Seminário sobre pesquisa demográfica relacionada aos objetivos de crescimento demográfico, e Valéria estava convidada, representando o IBGE.

Nascia ali uma amizade com muita camaradagem, bom humor – traço de personalidade de Valéria – e muitas trocas de informação ou conhecimento, formais e informais. Nossas carreiras seguiram assemelhadas, com encontros frequentes, que foram diminuindo com a diversificação dos focos de interesse. Mas nunca foram diminuídas a estima, o apreço e a mútua admiração. Impossível não lembrar de Valéria sem rever seu sorriso: sua marca de interlocução com a vida."  Jair Licio Ferreira Santos

Querida Valeria,

Muitos de nossos colegas e amigos da ABEP já mencionaram tuas qualidades profissionais e pessoais indiscutíveis.  Profissional capaz, séria e discreta, amiga leal e altruísta, que deixa um legado invejável a demografia brasileira. Assino em baixo de tudo que foi dito Valeria, mas fiquei pensando que algo faltava para teu retrato completo. Foi ai que lembrei com saudades de nosso ultimo encontro e conversações".

Foi em mais um jantar-baile da ABEP de momentos alegres, falando de nossas experiências de maternidade tardia. Riamos dizendo que havíamos colaborado para garantir a taxa de reprodução, mas que sobretudo, estávamos felizes com nossas meninas. Estas memórias Valeria, ajudam a consolidar tua imagem e confirmam como o publico e o privado são inseparáveis na vida das mulheres. Vivestes teu grande amor, com a mesma discrição profissional elogiada, e deixastes ai também um grande legado mesmo sem nunca ter sido qualificada como demógrafa feminista. Obrigada amiga Valeria." Ana Maria Goldani

Tenho lido as várias manifestações de colegas sobre a partida definitiva da Valéria, decidi também me manifestar, apesar de, reconhecidamente, não ser frequentador desses modernos meios de comunicação. Conheci a Valéria em meados dos anos 70, em reuniões do grupo apoiado pela Fundação Ford, referido pelo Jair em sua mensagem de 28 de maio. Éramos cinco, em torno de 50% dos demógrafos brasileiros! Uma espécie de Proto ABEP, na feliz imagem de Jair.

Fomos grandes amigos, assertiva esta feita numa quadra da vida quando se conclui que os verdadeiros não passam do número dos dedos de uma mão, quiçá, para os de maior sorte, de duas.

Valéria teve atuação ativa em diretorias da ABEP, em seus encontros, seminários, porém sempre com aquela característica que lhe era peculiar: uma grande discrição. Em plena ditadura militar, que levava à exacerbação das opiniões e dos ânimos, ao maniqueísmo, Valéria mantinha-se aparentemente tranquila, procurando somar e não dividir. Comentava, em círculo muito restrito, com uma certa ironia, aquele contexto que levavam as pessoas a conferir a qualquer divergência um valor absoluto, a não reconhecer e respeitar a existência do “outro”.

No IBGE, além do papel de liderança desempenhado internamente, que contribuiu, em muito, para a valorização e o reconhecimento institucional da demografia, era incansável seu esforço e luta, em uma instituição até então bastante fechada e exageradamente preocupada com a “perfeição” dos dados, em propiciar, o mais prontamente possível, os dados dos censos e das demais pesquisas aos colegas de outras instituições.

Enquanto de um lado, muito se falava sobre responsabilidade social e ética no serviço público, chegando-se, inclusive, a publicar artigo sobre o tema, de outro, Valéria, silenciosa e diuturnamente, as praticava.

A última grande empreitada de Valéria no IBGE foi no bastante conturbado Censo de 1991. Elza e eu somos testemunhas da dedicação dela, inclusive na Comissão Consultiva, da qual éramos membros. Por razões para mim até hoje desconhecidas, mas talvez compondo aquele maniqueísmo referido acima, Valéria não contou com o apoio interno de boa parte dos colegas demógrafos, com uma exceção digna e de registro: o também saudoso Luiz Armando! A demografia brasileira muito deve à Valéria! Pessoalmente, também muito lhe devo! Onde for que esteja, se em algum lugar estiver, saiba, Valéria, que todos muito lhe devemos." José Alberto Magno de Carvalho

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